Como conseguir uma cadeia de abastecimento resiliente

02 Setembro 2021

Resiliência é definida com “a capacidade de um material ou de um sistema a recuperar o seu estado inicial quando tenha cessado uma perturbação à qual foi submetido”. Em termos logísticos, entende-se como cadeia de abastecimento resiliente aquela que é capaz de se sobrepor eficazmente às inúmeras perturbações que ocorrem, conseguindo que a preparação e entrega dos pedidos sejam realizadas de acordo com as condições pactuadas previamente apesar dos incidentes que possam surgir.

Através de um diagnóstico logístico analisa-se o estado do mercado e da concorrência visando aplicar as mudanças necessárias para manter ou ganhar competitividade. Para tal, as cadeias de abastecimento resilientes devem assumir uma estratégia de logística integral, que envolva uma partilha total de dados entre os inúmeros participantes. É necessário considerar que uma cadeia de abastecimento digitalizada e integrada é mais adaptável às mudanças.

A capacidade de resiliência

Um estudo da Michigam State University constata que a resiliência na cadeia de abastecimento deve basear-se em dois pontos críticos:

  • Capacidade de resistência: a habilidade do conjunto de agentes que formam a cadeia de abastecimento de atrasar a interrupção e, sobretudo, de reduzir o seu impacto no produto. Em primeiro lugar é preciso evitar o problema na medida do possível e, em segundo lugar, é necessário adotar as medidas adequadas para mitigar os seus efeitos.
  • Capacidade de recuperação: a virtude de analisar e tomar decisões com base nos resultados e, assim, sobrepor-se à interrupção. A sua principal característica é que as empresas que formam a cadeia de abastecimento deverão primeiro atravessar uma fase de estabilização para depois voltar aos resultados anteriores ou inclusive melhores, se for o caso.

Esses princípios podem ser aplicados tanto para interrupções por causas naturais ─ por exemplo, tsunamis ou terremotos ─ quanto tecnológicas, devido ao surgimento de novas tecnologias como o blockchain ou o big data. No entanto, o que é exatamente uma interrupção e como pode afetar a cadeia de abastecimento de um produto?

A resiliência de uma cadeia de suprimentos depende de sua capacidade de resistência e de recuperação
A resiliência de uma cadeia de abastecimento depende da sua capacidade de resistência e de recuperação

Como medir a resiliência de uma empresa

A cadeia de abastecimento pode sofrer vários tipos de incidentes que alteram o seu funcionamento, desde fenómenos naturais até problemas tecnológicos. Denomina-se perturbação na cadeia de abastecimento qualquer perturbação que ocorra em um ou mais elos da cadeia e cuja origem seja externa.

As perturbações em logística podem ser causadas por fatores naturais, tais como um terremoto ou tempestade de neve; biológicos, como a pandemia do coronavírus; em virtude de decisões políticas, como uma guerra comercial entre países; ou finalmente por causas tecnológicas, como um ciberataque ou fuga de dados.

No entanto, como as interrupções afetam a cadeia de abastecimento? E, sobretudo, como convertê-la em resiliente perante as alterações? Pesquisadores da Universidade NOVA de Lisboa publicaram a teoria sobre o triângulo da resiliência.

O gráfico representa o impacto de uma interrupção de acordo com a gravidade da perturbação e o tempo de recuperação de cada agente da cadeia. Quanto menor for o triângulo, maior será a capacidade de resiliência da empresa analisada.

A teoria do triângulo de resiliência mostra a capacidade de recuperação de uma cadeia de suprimentos
A teoria do triângulo de resiliência mostra a capacidade de recuperação de uma cadeia de abastecimento

Portanto, analisando os riscos e a gravidade enfrentados pela empresa ─ ou o conjunto de organizações que formam a cadeia ─ é possível visualizar o quão resiliente é o seu supply chain para assim adotar ações em prol da sua estabilidade.

A conclusão do estudo português indica que a análise deve fazer parte de qualquer organização que queira sobreviver às mudanças estruturais vividas pela indústria e pela logística.

A flexibilidade é essencial para garantir a resiliência de uma cadeia de suprimentos perante uma interrupção
A flexibilidade é essencial para garantir a resiliência de uma cadeia de abastecimento perante uma perturbação

Como conseguir uma cadeia de abastecimento resiliente

Então, quais as estratégias que devem ser adotadas para garantir a estabilidade de uma cadeia de abastecimento em relação a qualquer interrupção? Os 5 pilares para construir uma logística resiliente são os seguintes:

  • Digitalizar e compartilhar informações com todos os elos da cadeia de abastecimento: o risco relacionado à perda de informações é, hoje em dia, quase superior à perda do próprio material. Uma fuga de dados pode pôr em cheque qualquer operação logística. É por isso que o uso de um software como os SGA, os ERP ou sistemas MES de produção são fundamentais para sincronizar toda a cadeia de abastecimento, evitando que qualquer impacto possa prejudicá-la.
  • Estabelecer um planeamento logístico prévio: no mercado existem muitas ferramentas digitais para fazer análises sobre os KPI da empresa ─ e do setor ─ e assim antecipar-se às novas interrupções. Por isso, o planeamento deve incorporar o estudo das atividades da concorrência, dos fornecedores e, sobretudo, das expectativas do cliente.
  • Implantar uma política de melhoria contínua na estratégia logística: uma publicação da consultora EY indica que é imprescindível aplicar técnicas de melhoria contínua na cadeia de abastecimento para reduzir custos e, especialmente, para responder melhor às mudanças do meio. Essa tendência baseia-se em identificar os problemas, defini-los e implementar soluções para suprimir ou atenuar as dificuldades.
  • Elaborar um plano logístico e de produção flexível e adaptável: um dos segredos de uma cadeia de abastecimento resiliente é a rápida recuperação. Por isso, as empresas devem sincronizar as suas operações para que etapas como a fabricação e a logística sejam flexíveis e se adaptem rapidamente a novos cenários. Uma empresa que se antecipa às tendências e as incorpora agilmente pode tirar proveito de qualquer mudança política ou tecnológica.
  • Investir em soluções de armazenagem eficientes: um armazém formado por sistemas de armazenagem automáticos (mediante transportadores ou transelevadores) é a solução adequada diante de qualquer percalço. Por quê? Garante a máxima produtividade e, sobretudo, não depende do número de operadores para assumir a mesma densidade de entradas e saídas de produto.

Rumo a uma cadeia de abastecimento resiliente

Num contexto logístico complexo, onde as empresas interagem com os seus clientes através de inúmeros canais, qualquer interrupção pode implicar que um elo da cadeia de abastecimento cometa erros ou deixe de ser eficiente.

Por conseguinte, as empresas devem compartilhar dados, garantir a rastreabilidade do produto e a transparência na fabricação, armazenamento e entrega do pedido a fim de evitar essas deficiências. Uma cadeia de abastecimento integrada e onde os agentes cooperam está melhor preparada para superar dificuldades externas e internas.

Desde a elaboração do plano de fabricação e de logística até a necessidade de investir em soluções automáticas na fábrica e na distribuição, a cadeia de abastecimento exige a implantação de técnicas de melhoria contínua para consolidar a sua resiliência em relação às mudanças que acontecem no nosso meio.

A digitalização dos processos logísticos e a automação das operações converteram-se na melhor solução para ter uma cadeia de abastecimento resiliente e integrada. Se quiser mais informações sobre os benefícios de implantar um software no seu armazém, não hesite em entrar em contato connosco. Um assessor especializado irá indicar a melhor solução para a sua empresa.