Curva ABC: vantagens para a classificação de inventários no armazém

07 Dezembro 2020

A curva ABC de classificação de inventários permite organizar a distribuição das diferentes mercadorias dentro do armazém a partir da sua relevância para a empresa, de seu valor e da sua rotação. Com esse sistema prioriza-se a aquisição e colocação dos produtos não pelo seu volume ou quantidade, mas sim pela contribuição económica que representam para a empresa.

A classificação ABC baseia-se no princípio de Pareto ou regra do 80/20, que indica que 20% do esforço é responsável por 80% dos resultados. Se o aplicarmos ao ecossistema do armazém, 20% dos artigos geram 80% dos movimentos da mercadoria, enquanto 80% dos produtos originam os restantes 20% dos movimentos.

Os níveis de classificação de inventários com a curva ABC

As referências são classificadas em três níveis:

- Artigos com rotação A

Em termos de quantidade costumam ocupar 20% dos inventários, porém são as de maior rotação, por isso têm uma importância estratégica. As referências A são os produtos que a empresa investe mais e geram 80% das receitas, por isso é prioritário evitar as ruturas de stock.

Também pertencem a este grupo os SKU que, devido às suas características, são críticos para o bom funcionamento da empresa. Em qualquer caso, é recomendável manter um controlo de stock exaustivo das referências classificadas como A com inventários frequentes ou inclusive permanentes.

No momento de localizar as referências A no armazém, estas costumam ficar em áreas baixas, de acesso fácil e direto para o operador, assim como perto das docas de saída.

- Artigos com rotação B

Abrangem a faixa de rotação média e costumam representar, em termos de quantidade, 30% dos inventários. Esses artigos são renovados a um ritmo mais lento, pelo que o seu valor e relevância são inferiores em relação aos produtos A.

Nesse caso, é preciso prestar atenção à evolução das referências classificadas como B, pois podem passar para rotação A ou, pelo contrário, converter-se em produtos C. O abastecimento desse tipo de stock pode funcionar com a regra do stock mínimo/máximo, em vez de estar sujeito a um controlo exaustivo sobre as compras e emitir pedidos de modo contínuo (tal como pode ocorrer com os A).

No armazém, ficam localizados em áreas de altura intermediária cujo acesso não é tão direto quanto nas posições ocupadas pelos produtos A, mas não são as mais inacessíveis.

- Artigos com rotação C

No seu conjunto os produtos C são os mais numerosos, chegando a representar 50% das referências armazenadas. No entanto, também são os menos procurados por parte dos clientes.

Ao não serem artigos estratégicos, os recursos dedicados a controlar essas referências podem ser mais modestos e o reabastecimento costuma ser ajustado com stocks de segurança. Em qualquer caso, é aconselhável vigiá-los para que não terminem a formar um inventário obsoleto e de nula rotação. A questão que surge com os produtos C é: convém investir parte do orçamento para manter stock dessas referências?

Na instalação de armazenagem, uma vez que é necessário serem acedidos de forma esporádica, ocupam as áreas mais altas ou menos acessíveis, assim como as áreas mais afastadas das docas de saída.

No armazém da Cofán, o miniload armazena os produtos de pequeno tamanho e de rotação B e C
No armazém da Cofán, o miniload armazena os produtos de pequeno tamanho e de rotação B e C

Como fazer a classificação de produtos com a curva ABC?

Não existe uma convenção única para classificar os produtos nas categorias A, B e C. Cada empresa o determina de acordo com o seu modo de operar concreto e características da procura e dos produtos. Se recorrermos à teoria, existem três métodos principais para calcular a rotação de stock no inventário:

- Classificação ABC por custo unitário:

As mercadorias são ordenadas dependendo do nível de investimento no inventário destinado a cada uma delas, ou seja, quanto maior o custo da mercadoria, mais atenção é dada à gestão do abastecimento. Essa abordagem é útil quando produtos de diferentes valores forem armazenados (mas nem tanto quando os preços forem semelhantes).

- Classificação ABC por valor total em inventário:

A diferença em relação ao anterior é que esse sistema considera as unidades armazenadas como stock de cada referência no momento em que o cálculo é realizado.

Usando esse método, é frequente que, no momento de ordená-los, os artigos fiquem nos limites entre categorias e seja mais complexo determinar a classe à qual pertencem. Além disso, a classificação muda de forma contínua e isso torna necessário ter que recalcular semanal ou mensalmente para evitar que o sistema fique desfasado.

- Classificação ABC por utilização e valor:

Trata-se do método mais utilizado no momento de organizar o armazém. Considera como base do cálculo a procura das mercadorias e o valor das mesmas. Esse método vai mais além em relação aos anteriores: apesar de um produto ser relevante para o inventário devido ao seu alto valor, se este não for vendido com frequência, não ocupará o espaço dedicado às referências A na instalação de armazenagem.

Nesse sentido, é preciso destacar que, para que a curva ABC se ajuste mais à realidade, a procura de um produto não é a única métrica que devemos contemplar. Cabe não perder de vista outras considerações como a margem de lucro de cada produto ou o impacto das ruturas de stock.

A diferença entre os dois métodos nasce nos critérios utilizados para ordenar as mercadorias, mas a forma de agrupar as referências parte do mesmo princípio. Com os dados registados numa tabela ou lista, as cifras são organizadas de maior para menor e, nessa ordem, os produtos que representem o 15% do topo serão os A (nas primeiras posições), o 20% seguinte são classificados como B e o 65% restante serão os C (ocuparão aproximadamente da metade até as últimas posições na tabela).

Representação gráfica da teoria do 80/20 ou Diagrama de Pareto, base da curva ABC
Representação gráfica da teoria do 80/20 ou Diagrama de Pareto, base da curva ABC

Aplicar a curva ABC na organização do armazém

A classificação ABC é um dos pilares sobre os quais se alicerça o layout do armazém. Como tirar proveito dessa classificação de inventários para a organização das mercadorias no armazém?

1. Ajuste os sistemas de armazenagem a cada classe de referência para aproveitar o espaço

É preciso partir da ideia de que a classificação segundo a classificação ABC é um parâmetro a mais a considerar na gestão de localizações e deve ser combinada com outras características importantes dos produtos, como o seu nível de periculosidade, a temperatura na qual devem ser armazenados, o volume e tamanho, entre outras.

Como se relacionam a curva ABC e os sistemas de armazenagem? É aconselhável equipar o armazém com diferentes tipos de estantes para que se ajustem ao movimento de cada grupo de produtos e, além disso, otimizem o espaço de armazenagem disponível. Padronizar as unidades de carga em paletes ou caixas ajuda a flexibilizar a gestão de localizações no armazém, uma vez que possibilita a reorganização das mesmas.

Por exemplo, uma prática habitual é localizar as referências A em estantes compactas próximas das docas de saída ou da área de picking, uma vez que haverá um maior número de paletes por referência em contínuo movimento. Por outro lado, as mercadorias com menor rotação irão situar-se em estantes para paletes que garantem um acesso direto ao produto quando for preciso. Um exemplo de reformulação do layout seguindo esse tipo de estratégia é o armazém da empresa espanhola Marvimundo.

As estantes compactas para as referências A no armazém da Marvimundo ajudam a distribuição da curva ABC
As estantes compactas para as referências A no armazém da Marvimundo ajudam a distribuição da curva ABC

2. Agilize o transporte entre as diferentes áreas com sistemas automáticos

O método ABC é útil para classificar o inventário em função do seu valor e rotação do stock. No entanto, quando a maior parte do catálogo em stock tiver que ser expedido em prazos muito ajustados (como ocorre com muitos armazéns dedicados à logística de e-commerce), é primordial dotar a instalação da agilidade necessária para preparar os pedidos a tempo. Como consegui-lo?

  • Os sistemas de transporte automáticos como os transportadores de rolos permitem acelerar o movimento das mercadorias limitando o número de manobras no picking e poupando tempo nas deslocações.
  • Os carros motorizados como o Pallet Shutle facilitam a extração de cargas em sistemas de armazenagem compactos, tanto na sua versão semiautomática quanto na totalmente automatizada com transelevadores.
  • Uma correta seleção do método de picking ou de preparação de pedidos e a organização do processo são aspetos fundamentais no momento de otimizar as rotas de extração de cargas.

3. Aproveite o potencial de um WMS para estabelecer regras de localizações a partir do método ABC

Com os sistemas de gestão de armazéns é possível tirar o máximo proveito da classificação de mercadorias mediante o método ABC. Este software possibilita:

  • Configurar estratégias de desfragmentação: tem o objetivo de compactar ao máximo o espaço de armazenagem redistribuindo as mercadorias em função da sua área de rotação ou aproximando-as da saída para agilizar sua expedição.
  • Organizar as prioridades quanto à reposição de stock para abastecer as áreas de armazenagem e de picking para que em momento algum ocorram paragens no processo de preparação de pedidos.
  • Realizar um monitoramento preciso dos movimentos das mercadorias: o controlo do stock é essencial para atribuir classes ABC aos diferentes produtos. No final, a classificação costuma variar sendo comum encontrar artigos que mudem de categoria. Consequentemente, será conveniente reorganizá-los no armazém ou fazer mudanças na zona do layout.

A classificação das referências de acordo com a curva ABC permite poupar tempo e esforço nas operações vinculadas à logística de armazenagem. Se pensa que o seu armazém tem potencial para melhorar nesse sentido, entre em contato connosco e colocaremos à sua disposição a nossa vasta experiência no setor.